sexta-feira, 8 de março de 2013

O AMOR DE SEBASTIÃO POR ALTINA


          Meu nome é Sebastião Bertulino Junior, vou te contar uma história que se passou comigo. Um dia o meu coração abobou e resolveu bater alegre pela Altina, mas a cabocla era moça prendada, fia de coroné, andava toda espigada, orgulhosa pra diar parecia inté uma garça elegante a procura de um peixinho a beira de um regaço, ou quem sabe! De um macho da espécie para acasalar, mas pra meu lado se quer rabiscava o oiar e eu insistia feito um burro empacado a desejar o seu amor. Me via sempre arreparando nos trejeito daquele corpo abarrotado de curvas perfeitas, que bolía com o meu sossego. Altina se quer sabia que eu existia quanto mais que eu arreparava nela, porém insegueirado por ela,  eu nem arreparava na Matilde que, andava de zoi de peixe morto pru meu lado e se aconchegando feito uma criança abarrotada de medo, mas meus zoios só enxergavam Altina, meu coração só sofria por ela, não adiantava outra mulher saracotear pru meu lado que eu nem notava, tamanho era o desejo meu por Altina, mas ela parecia que tinha um jeito de oiar que a direção do danado do oiar dela era mais alto do que o cuco da minha cabeça, ou intonce ela fazia que não me enxergava, só pra não ver eu caidim e doidim Pra  aquele lindo oiar se bater com o meu.  Se eu estava acordado estava pensando nela, se dormia sonhava com ela, era cada sonho bom! Pena que quando eu acordava ficava com raiva de não ser verdade, ou diar! Parecia atentação. Um dia Altina oiou pra o lado adonde eu estava, eu fiquei torcendo pela coincidência de oiar, mas não aconteceu, ela arribou o oiar pra o outro lado, que pena!
          Certo dia numa festa dei de oiar prus zois de Matilde e notei o seu desejar que, estava tão claro, aquele zoi de quem pede alguma coisa, intonce me aproximei e depois de algumas danças com ela e muita conversa no pé do vido, ufa! Saímos de namoro acertado, mas o bobo do meu coração dava de aperto quando eu pensava que Altina ia saber desse namoro, mas Altina nem se quer sabe que eu existo e se sabe me vê coma um toco, ou outro objeto qualquer. Depois de alguns dias esfriei o namoro com Matilde e voltei a sonhar com os carinhos de Altina. Não adiantava o coração só batia alegre por ela, então terminei o namoro, pra que enganar alguém se seu coração está tomado por outra? A bichinha ficou de zoi merejante a me oiar, quando eu disse que outra muier morava no meu coração e tava difícil de sair pra mode ela entrar. Voltei a minha luta por Altina, passava na sua porta com o oiar cumprido pra dentro da casa, pra mode ver, nem se quer fosse a sua sombra, mas a bichinha parecia que se escondia de mim, minha luta foi grande, a cidade inteira já sabia do meu querer por ela, inté que um dia, numa festa de São João, ou santo bom danado! O meu oiar bateu com o de Altina e ela ficou ali parada me admirando e, eu parecia hipnotizado como uma presa diante do seu predador sem saída. Tudo que eu havia planejado pra dizer a ela quando isso acontecesse fugiu fiquei ali parado feito menino bobo engasgado com as palavras, intonce Altina perguntou: É você o Sebastião? Me fartou terra debaixo dos pés, a perna fraquejou e o coração disparou numa batedeira que mais parecia a bateria de uma escola de samba. Acredito que por instinto masculino pude lhe dizer algumas palavras que atingiu em cheio o seu coração e dessa vez foi ela quem teve as pernas bambas e a voz embargada. Intonce eu aproveitei e mandei o verbo. Hoje Altina é a minha companheira a quem amo como se fosse naquele  primeiro dia que a vi.

Dílson Pereira dos Santos
Blogger – Salu do Agreste

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